11 de novembro de 2014

É hora de comprar imóvel para morar, aconselham especialistas

POR MERCADO IMOBILIÁRIO · 10 DE NOVEMBRO DE 2014

Quem planeja comprar um imóvel nas grandes cidades brasileiras sabe que a procura não é tarefa fácil e os preços fogem da realidade quando comparados ao tamanho do imóvel, cada dia mais reduzido. Mas esse cenário começa a mudar e quem quer comprar um lugar para morar deve ficar atento a oferta, que está alta, e saber que este é um bom momento para barganhar.

Em cidades reconhecidas pelo alto custo de vida, como Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, os preços de casas e apartamentos já sobem menos do que a inflação, mesmo que registrem o valor mais alto do metro quadrado do País – R$ 10.830, R$ 8.301 e R$ 8.089, respectivamente.

Os dados são do Índice Fipe-Zap, divulgados na quarta-feira (5). O indicador acompanha o preço médio do metro quadrado de apartamentos prontos em 20 municípios brasileiros com base em anúncios da internet.

Segundo estimativa do Boletim Focus, do Banco Central, a variação do IPCA (inflação oficial medida pelo IBGE) de outubro deve ficar em 0,50%, enquanto levantamento do Índice Fipe-Zap mostra que a alta no preço do metro quadrado em sete importantes cidades brasileiras deve ser inferior ao aumento da inflação. São elas: São Paulo (0,30%), Rio de Janeiro (0,35%), Salvador (0,48%), Fortaleza (0,03%), São Caetano do Sul (0,17%); as cidades de Brasília (-0,02%) e Florianópolis (-0,55%) registraram recuos nos preços.

“Sempre é o momento de comprar imóvel para morar porque é investir em algo que é seu. Mas agora a hora é convidativa porque, no ano e em todo o Brasil, o aumento de preço médio nos imóveis anunciados na internet é menor que 9%, enquanto a inflação oficial está quase em 33%”, afirma Celso Petrucci, economista-chefe do Secovi-SP, sindicato que representa empresas de habitação em São Paulo.

Bruno Vivanco, vice-presidente de Abyara, concorda que o momento seja propício devido aos estoques altos. Segundo os levantamentos da empresa imobiliária, há três anos se vendia de 80% a 90% das unidades em lançamentos, enquanto hoje as vendas ficam entre de 30% a 40%.

Vivanco ressalta que os preços sofrem ajustes, mas não chegam a cair porque subiram em alta velocidade nos últimos sete anos – apoiados no programa federal Minha Casa Minha Vida, na expansão de empresas imobiliárias, nos maiores prazos de financiamento e no aumento do crédito.

“Hoje o cenário é justamente o contrário e segue o baixo nível da atividade econômica. Há ainda um fator negativo no mercado imobiliário, está havendo devolução de unidades”. Vivanco explica que imóvel parado e pronto é custo para as empresas do setor que têm de pagar IPTU e condomínio.

O que saber para fazer uma boa compra

Os especialistas consultados pelo iG avisam que é preciso desconfiar de feirões e descontos muito grandes. “Muitas vezes, esse tipo de evento eleva o preço antes de anunciar e no fim dá desconto de 5%, dizendo que é de 40%. O empreendedor teve custos ao longo do ciclo produtivo e se der esses descontos enormes, tem prejuízo”, avalia Vivanco. Um desconto possível e real ficaria em torno de 15% do valor do imóvel”.

Outra dica importante do executivo é deixar para comprar um apartamento ou casa em condomínio em um empreendimento novo, perto da entrega e com estoque. “A venda é facilitada porque o empreendedor não quer ter estoque na entrega, já que terá de arcar com custos. O vendedor negocia bem nessa situação”, diz.

Para Petrucci, do Secovi-SP, a combinação entre pesquisa de preço, de produto e paciência para fechar o negócio também é indicada para se fazer um bom negócio.

“É preciso evitar a pressa ao fazer um negócio. Comparar, pesquisar, olhar muitas opções e ver o que dá mais mobilidade de transporte, visitar empreendimentos em horários diferentes para saber qual a intensidade do sol e em qual parte do dia”, ensina Petrucci, do Secovi-SP.

Apartamentos em andares altos e com face para o sol são mais valorizados, por isso, se o dinheiro está curto escolha unidades em andares baixos.

Fonte: IG